Um daqueles poemas de “servir o chapéu”

Apenas gostaria de registrar uns versos de Mario Quintana, que facilmente fazem “servir o chapéu” aos leitores. A felicidade pode estar mais perto do que nós pensamos!

DA FELICIDADE

Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura,
Tendo-os na ponta do nariz!

Arma de Instrução em Massa

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A obra de arte da foto, denominada “Arma de Instrução em Massa” é criação do artista argentino Raul Lemesoff. O antigo tanque de guerra, transformado em biblioteca móvel, possui espaço para armazenar, aproximadamente, 900 livros, que são provenientes de doações. O artista circula com o veículo pela Argentina, distribuindo os livros em regiões carentes, mas ele pretende ir além das fronteiras argentinas, a outros países da América Latina. Quem quer que a Arma de Instrução em Massa “ataque” sua cidade?

Procura-se criatividade

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Dizem os especialistas que o cérebro humano possui dois hemisférios: o lado esquerdo lógico e o lado direito criativo. Dependendo de quanto for estimulado, um deles tende a ser mais desenvolvido do que o outro. Costumo definir esses dois lados como o “mais sério” e o “mais descontraído”.

Considero “sérias” as atividades que exigem responsabilidade, compromisso, concentração e pontualidade, e “descontraídas” aquelas que desenvolvem o potencial artístico e criativo e que nos distraem daquela tensão que a rotina muitas vezes provoca. Consigo perceber claramente o efeito do exercício dessas atividades. Quanto mais trabalho com a lógica e a razão, mais eficaz se torna o raciocínio. Consequentemente, quanto mais desafio a criatividade, percebo que a capacidade imaginativa se potencializa.

Notei que existe uma tendência geral a estimular mais o lado lógico. Dia a dia, cumprimos uma rotina corrida e repetitiva de trabalho, estudo e outros compromissos. Sinto que a vida está se tornando rasa, superficial. Parece que tudo está se transformando em máquina, inclusive o ser humano. É tudo tão previsível: acordamos, cumprimos nossa jornada diária e vamos dormir; e tão urgente: uma constante corrida contra o tempo. Enquanto o lado esquerdo do cérebro se encontra praticamente sobrecarregado, parece que a rotina está matando aos poucos a criatividade. Estamos sempre cheios de compromissos que precisam ser cumpridos e problemas que precisam ser solucionados o mais breve possível. Muitas vezes, não nos sobra tempo nem para nós mesmos.

Embora eu também viva nesse ritmo, cuido para não ser tão “séria” e metódica. Tenho uma lista grudada na parede do meu quarto com várias sugestões de como ser uma pessoa mais criativa. Em geral, o que mais se aconselha é mudança. Não precisa ser radical, como sair da cidade ou do emprego. As pequenas mudanças diárias já fazem diferença, como fazer um trajeto diferente, comer em outro lugar, ler sobre um assunto nunca explorado ou conhecer uma cidade no final de semana. Fazer tudo sempre do mesmo jeito nos torna parecidos com máquinas. É possível estimular nosso lado criativo se percebermos à nossa volta as pequenas oportunidades de dar aquela “escapadinha” do habitual.

Resultado? Mente aberta, aprendizados, novas ideias, descobertas, mais histórias para contar, e muito mais. Pontos extras de potencial criativo para quem puder investir em alguma habilidade relacionada à arte: música, teatro, dança, literatura, pintura, entre outras. Melhor ainda para quem trabalha com atividades artísticas ou as pratica como hobby. De qualquer forma, precisamos dos dois hemisférios cerebrais em ótimo funcionamento e equilíbrio, e para isso é necessário todos os dias encontrar uma maneira (que, como foi dito, pode ser muito simples) de desligar um pouco a máquina movida à lógica e razão e se permitir a novas experiências. Assim como qualquer outra habilidade, criatividade é algo que precisa ser desenvolvido. O lado direito do cérebro agradece.

Imagem retirada de: http://www.proprofs.com/quiz-school/upload/yuiupload/1046709027.jpg

Sobre como me tornei leitora

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Eu já era leitora antes mesmo de conhecer o alfabeto e as palavras, desde o momento em que eu observava as ilustrações em livros ou gibis, imaginava a história que estava se passando e a narrava para quem estivesse por perto. Naquela época, eu nem imaginava o quanto isso influenciaria meus gostos, interesses e decisões futuras, e o quanto a disposição da minha mãe seria importante. Ter aprendido a ler, para mim, foi tão emocionante quanto uma descoberta e, desde então, tenho utilizado esse tesouro para ampliar o saber e conhecer novas histórias.

Tudo começou em 1998, quando eu soube que o meu primeiro dia na escola estava se aproximando. Ficava imaginando como seria aquele momento, cheia de expectativas, sendo que a maior delas era aprender a ler e a escrever. O detalhe era que eu não sabia que não ensinavam isso para crianças de quatro anos, na pré-escola. Todavia, fui, toda empolgada, para o grande dia, com a certeza de que voltaria para casa lendo tudo o que encontrasse pelo caminho.

Claro que não foi exatamente como eu esperava. O primeiro dia é aquele de conhecer os espaços da escola, a sala de aula colorida, a professora, a diretora, os colegas, as “tias” do lanche e da limpeza, o lugar onde guardam os brinquedos e os livros de histórias infantis, entre outras coisas. Inutilmente, fiquei aguardando pelo momento em que a professora diria: “Bem, turma, a diversão acabou. Agora vamos ler e escrever”. Entretanto, a tarde chegou ao fim, já estava na hora de ir embora, o que eu esperava não aconteceu, e isso se repetiu durante todo o ano. Eu queria brincar, mas não o tempo todo. Gostava da “hora do conto”, mas eu também queria ler as histórias, porque a professora era a única pessoa que lia naquela sala de aula. Era divertido fazer desenhos e pintar, mas eu gostaria também de colocar letras no papel, e eu só tinha aprendido a escrever o meu nome.

Não tive escolha naquele ano, portanto, guardei todas as minhas esperanças para 1999, quando minha família se mudou de cidade e eu estava prestes a ser matriculada em uma nova escola. Quem sabe as professoras da outra cidade ensinassem os alunos a ler e a escrever? Porém, eu estava enganada outra vez. Era ainda cedo demais para isso; faltava ainda um ano para o Ensino Fundamental. Após várias aulas frustradas, desisti de frequentá-las. Bati perna, chorei, fingi dores de barriga. Gritava o tempo todo: “Eu quero ler e escrever! Não quero mais brincar!” Minha mãe, então, que não estava trabalhando fora naquele ano, dedicou-se em me ensinar as primeiras palavras, pois estava cansada dos meus lamentos.

Em 1999, passei mais dias em casa do que na escola, e finalmente aprendi a ler e a escrever. No ano seguinte, comecei o Ensino Fundamental, já corrigindo erros ortográficos dos colegas e até mesmo da professora. Retirava um livro por semana na biblioteca e, quando voltava para casa, ansiosa e curiosa pela história, procurava um lugar sossegado e arejado e começava a leitura. Lia o máximo que podia, como se fosse para compensar todo o tempo que eu esperei para poder fazer isso.

Embora, hoje, a rotina não permita que eu leia tanto, procuro brechas entre um compromisso e outro para entrar em um mundo que não seja o meu. A prática da leitura tem direcionado minhas escolhas e proporcionado o interesse pela língua, a paixão pela literatura e mais conhecimento. Nesse processo, o apoio dos meus pais foi fundamental e, graças à minha mãe, ganhei um ano extra na minha vida para praticar a leitura. Como leitora e estudante de Letras, sinto-me dando continuidade a essa história, que começou tão cedo, e espero poder despertar em mais pessoas o gosto pelas palavras.

Imagem retirada de: http://diariodigitalcastelobranco.pt/detalhe.php?c=6&id=32618

Olá, letristas!

Meu nome é Camila Ferreto, tenho 22 anos e sou estudante de Letras. Criei este blog com o objetivo de fazer algo que eu gosto muito: escrever. Quero aproveitar o espaço para compartilhar o que eu aprendo, leio, assisto, ouço, experimento… Meu foco é o público das Letras, mas o site está à disposição de qualquer pessoa que se interessar pelos assuntos abordados nas minhas publicações.

Obrigada!

Camila.